Tipos de grupo: qual montar primeiro
Não existe "o grupo terapêutico". Existem formatos distintos com dinâmicas e enquadres diferentes:
| Formato | Foco | Duração típica | Participantes |
|---|---|---|---|
| Grupo de psicoterapia | Processo terapêutico dos membros | Aberto, sem prazo | 6 a 10 |
| Grupo temático | Tema específico (luto, ansiedade, autoestima) | 8 a 16 sessões | 6 a 12 |
| Grupo psicoeducativo | Informação e habilidades | 4 a 10 sessões | 8 a 20 |
| Grupo de suporte | Apoio mútuo entre pares | Contínuo | 6 a 12 |
Para quem está montando o primeiro grupo, grupos temáticos de prazo definido são mais fáceis de preencher e de gerir clinicamente. O participante sabe quando começa e quando termina, o que reduz a resistência inicial.
Estrutura operacional antes de começar
Antes de abrir as vagas, defina:
- Formato e tema do grupo
- Número de vagas (mínimo para abrir, máximo para fechar)
- Frequência e duração das sessões (grupos costumam durar 90 minutos)
- Critérios de participação: quem se beneficia e quem não se encaixa
- Política de faltas e reposição
- Valor por sessão ou por ciclo completo
- O que acontece se um participante quiser sair antes do fim
Cada participante assina um contrato individual antes da primeira sessão. O contrato do grupo tem cláusulas que o individual não tem: confidencialidade entre os membros, política de entrada de novos participantes e o que acontece em caso de desligamento.
Como precificar o grupo
A lógica de precificação do grupo é diferente do individual. Você não divide o valor da sessão individual pelo número de participantes. O grupo exige mais preparação, mais energia e mais registro.
Uma referência prática: o valor por participante costuma ficar entre 40% e 60% do valor da sessão individual. Num consultório que cobra R$180 por sessão individual, uma vaga no grupo fica entre R$70 e R$110 por encontro. Com 8 participantes, uma sessão de 90 minutos gera entre R$560 e R$880, com uma hora e meia de trabalho.
Grupos com menor número de participantes (5 a 6) ou com demanda mais complexa justificam valores mais altos por participante. Grupos psicoeducativos com 15 a 20 pessoas podem ter valores menores, já que a interação individual é menor.
Cobrança por falta: como definir e comunicar
A falta de um participante não cancela o grupo. O encontro acontece. Por isso, a prática mais usada é cobrar a sessão mesmo quando o participante não comparece, igual ao individual.
O que muda é a comunicação. No contrato, escreva de forma clara: "A sessão é cobrada independentemente da presença. Em caso de ausência comunicada com antecedência mínima de X horas, fica a critério do terapeuta oferecer sessão individual de reposição." Isso dá flexibilidade sem criar ambiguidade.
Participante que falta sistematicamente afeta a dinâmica do grupo. Se a ausência ultrapassar 3 sessões consecutivas sem justificativa, avalie o desligamento. Registre essa decisão no prontuário com os motivos clínicos.
Prontuário: coletivo e individual
O CFP não exige formato específico para o prontuário de grupo, mas a Resolução 001/2009 obriga o registro de todos os atendimentos. Na prática, dois registros funcionam bem:
Diário de grupo: registro da sessão como unidade. Data, participantes presentes, temática trabalhada, dinâmica do grupo, intercorrências. Não inclui falas individuais identificadas. Esse documento registra o processo coletivo.
Ficha individual de evolução: para cada participante, registro da evolução clínica, objetivos terapêuticos individuais e resposta ao processo grupal. Esse documento é sigiloso e não é compartilhado com o grupo.
Os dois registros ficam separados. O diário de grupo pode ser consultado por supervisores com autorização dos participantes. A ficha individual segue as mesmas regras do prontuário clínico padrão. Veja mais em como escrever o prontuário psicológico.
Sigilo entre os participantes
O sigilo no grupo funciona diferente do individual. O psicólogo tem sigilo profissional. Os participantes não têm obrigação legal de sigilo sobre o que ouviram dos colegas, mas têm uma obrigação contratual e ética.
Por isso, o contrato de participação deve incluir cláusula de confidencialidade entre os membros. O terapeuta explica na primeira sessão que o que é dito no grupo fica no grupo. Isso não tem força legal equivalente ao sigilo profissional, mas estabelece o enquadre ético e protege os participantes.
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Perguntas frequentes
Quantas pessoas podem participar de um grupo terapêutico?
Como cobrar a sessão de grupo quando o participante falta?
O prontuário do grupo é coletivo ou individual por participante?
Grupo terapêutico pode ser reembolsado pelo plano de saúde?
Agenda grupos com cobrança por participante
Registre presenças, gerencie cobranças individuais e mantenha o prontuário do grupo separado do individual. Veja o AgilizaPSI na prática.
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