Quando o encaminhamento é necessário
Há situações em que encaminhar é a decisão clínica mais responsável que você pode tomar. Reconhecê-las antes é mais fácil do que reconhecê-las no meio de um processo já longo.
| Situação | Encaminhamento indicado |
|---|---|
| Demanda que excede sua formação ou especialidade | Colega com a especialização adequada |
| Sintomas que sugerem necessidade de avaliação médica | Psiquiatra, neurologista ou clínico geral |
| Transtorno alimentar com comprometimento clínico | Nutricionista e equipe multidisciplinar |
| Dependência química em fase ativa | CAPS-AD ou clínica especializada |
| Risco imediato de autolesão ou suicídio | UPA, CAPS ou internação psiquiátrica |
| Conflito de interesses com o paciente | Outro profissional sem esse conflito |
| Ausência de progresso clínico sustentado | Supervisor, ou segundo opinião de colega |
Como comunicar o encaminhamento ao paciente
A comunicação é onde o encaminhamento falha com mais frequência. Pacientes interpretam mal quando não há clareza suficiente. Alguns entendem que estão sendo "despedidos". Outros entendem que o problema é mais grave do que você está dizendo.
Algumas diretrizes concretas:
- Faça a conversa em sessão, não por mensagem
- Explique o motivo clínico em linguagem acessível, sem jargão
- Deixe claro se o encaminhamento é complementar (você continua) ou substitutivo (outro profissional assume)
- Indique um nome ou serviço específico, não só a especialidade
- Pergunte como o paciente está recebendo a notícia e deixe espaço para a reação
- Combine o próximo passo antes de terminar a sessão
O paciente que sai da sessão sem saber exatamente para onde vai nem o que fazer tende a não seguir o encaminhamento. Contato, endereço e, se possível, o nome do profissional aumentam muito a adesão.
Encaminhamento complementar: quando você continua
Na maioria dos casos, o encaminhamento não encerra o processo terapêutico. O psicólogo que encaminha para psiquiatria continua com a psicoterapia. O que encaminha para nutricionista mantém o trabalho com a relação do paciente com a comida. O que aciona o CAPS como suporte continua sendo o vínculo principal.
Nesses casos, a comunicação entre profissionais com consentimento do paciente melhora o cuidado. Não é incomum que o psicólogo envie um breve resumo ao psiquiatra ou receba uma carta de encaminhamento do clínico geral. O paciente autoriza isso no TCLE ou por escrito na sessão.
Quando redigir relatório de encaminhamento
O relatório de encaminhamento não é obrigatório em todas as situações, mas é boa prática sempre que o paciente muda de profissional ou ingressa num serviço que precisará do histórico.
O documento deve ser conciso: identificação do paciente, período de atendimento, motivo de busca original, resumo da evolução clínica e motivo do encaminhamento. Não é um laudo. Não precisa de instrumentos ou resultados de testes. Uma página costuma ser suficiente.
Guarde uma cópia no prontuário. Se o encaminhamento foi para urgência (CAPS, UPA, hospital), esse registro pode ser solicitado judicialmente.
O que registrar no prontuário
Todo encaminhamento precisa estar no prontuário. O registro mínimo inclui:
- Data da decisão clínica de encaminhar
- Motivo técnico do encaminhamento
- Para quem foi encaminhado (nome, especialidade ou serviço)
- O que foi comunicado ao paciente e a reação dele
- Se houve emissão de relatório de encaminhamento
- Se o processo terapêutico continua ou foi encerrado
Esse registro protege o profissional em caso de questionamento posterior e garante continuidade do cuidado se outro profissional precisar do histórico. Veja como estruturar o prontuário em como escrever o prontuário psicológico.
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Perguntas frequentes
Encaminhar paciente quebra o vínculo terapêutico?
O psicólogo precisa redigir um relatório de encaminhamento?
Posso encaminhar e manter o acompanhamento concomitante?
O que registrar no prontuário quando há encaminhamento?
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