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Site para Psicólogo: O Que Ter e O Que o CFP Proíbe

Por AgilizaPSI · Agosto 2026 · 10 min de leitura

Quase todo psicólogo que decide divulgar o próprio trabalho começa pelo Instagram. Faz sentido: é gratuito, é rápido e o público já está lá. O problema aparece depois, quando o profissional percebe que construiu a presença inteira em cima de um endereço que não é dele, com regras que mudam sem aviso e um algoritmo que decide quem vê o quê.

O site próprio resolve isso. É o único ponto da sua presença digital em que você controla o texto, o formulário, o dado coletado e a forma como o paciente entra em contato. E, do ponto de vista ético, é também o ambiente mais fácil de manter em conformidade — desde que você saiba exatamente o que o Código de Ética Profissional permite e o que ele veda.

Por que o site ainda importa quando existe Instagram

A rede social é boa para ser descoberto. O site é bom para ser escolhido. São funções diferentes, e uma não substitui a outra.

Quem chega ao seu perfil por um vídeo ainda está em uma fase exploratória. Quem digita o seu nome no Google, ou busca "psicólogo infantil" na sua cidade, já está com a decisão parcialmente tomada e quer resolver três dúvidas objetivas: você atende o problema dele, você atende no formato e no horário que ele consegue, e como marcar. Um perfil de rede social responde mal a essas três perguntas. Uma página bem estruturada responde em trinta segundos.

Há ainda três vantagens práticas que costumam pesar mais do que a estética:

  • O endereço é seu. Perfil bloqueado, conta invadida ou mudança de política da plataforma não derrubam o seu site. Ele continua no ar, com o mesmo endereço, indexado pelo Google.
  • O conteúdo é permanente. Um post desaparece do feed em horas. Uma página sobre "como funciona a primeira sessão" continua trazendo contato dois anos depois.
  • Você controla o dado. O contato que chega pelo seu formulário vai para onde você definiu, sob a sua política de privacidade — e não fica em uma caixa de mensagens compartilhada com o resto da sua vida pessoal.

Se você ainda está montando a base da sua divulgação, vale ler antes o panorama geral do que a normativa permite em marketing digital para psicólogos: o que o CFP permite em 2026. Este artigo aprofunda a parte que fica no seu domínio.

O que o Conselho exige em qualquer divulgação

O ponto de partida é o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Ele não proíbe divulgação — ele define que a divulgação de serviços psicológicos deve ter caráter informativo e respeitar a dignidade da profissão. Na prática, isso se traduz em obrigações concretas que precisam estar visíveis no site.

Identificação profissional completa

Nome completo e número de inscrição no Conselho Regional precisam aparecer de forma legível. O padrão é usar o formato "CRP 00/000000", com o número da região. Esse dado deve estar em algum lugar estável do site — rodapé, página "sobre" ou ambos — e não escondido em uma imagem, porque imagem não é lida por leitor de tela nem por mecanismo de busca.

Apenas títulos e especialidades registrados

Você só pode anunciar como especialidade aquilo que está efetivamente registrado no Conselho. Cursos, formações e certificações que não configuram título registrado podem ser mencionados como formação — não como especialidade. A diferença parece sutil, mas é justamente onde nasce boa parte das representações éticas por divulgação irregular.

Linguagem informativa, não publicitária

A régua aqui é simples: o texto descreve o serviço ou tenta convencer pela emoção? "Atendimento em terapia cognitivo-comportamental para adultos, presencial e online" descreve. "Transforme sua vida em 8 semanas" convence pela emoção — e promete resultado, o que é vedado.

Teste rápido antes de publicar qualquer frase: se ela pudesse ser dita por um profissional de qualquer outra área vendendo qualquer outro produto, provavelmente ela não pertence ao site de um psicólogo.

A estrutura mínima que funciona

Site de psicólogo não precisa ser grande. Precisa ser completo nas perguntas que o paciente faz antes de escrever para você. Cinco páginas resolvem a maioria dos casos.

PáginaFunçãoO que não pode faltar
InícioDizer em uma frase quem você atende e comoAbordagem, público atendido, formato (presencial/online), botão de contato
SobreConstruir confiança com dado verificávelNome, CRP, formação, abordagem, foto profissional
AtendimentosResponder "você atende o meu caso?"Modalidades, duração, formato, público-alvo
Como funcionaReduzir a ansiedade do primeiro contatoEtapas da primeira sessão, frequência, sigilo, política de cancelamento
ContatoConverter interesse em agendamentoFormulário enxuto, WhatsApp, endereço, política de privacidade

A página que quase ninguém faz e que mais converte

A página "como funciona" é a mais subestimada. A maior barreira de quem nunca fez terapia não é preço nem horário — é não saber o que vai acontecer. Explicar em texto simples que a primeira sessão é uma conversa, que dura em torno de cinquenta minutos, que não existe obrigação de continuidade e que tudo o que for dito está protegido por sigilo remove mais atrito do que qualquer argumento de venda.

Esse mesmo raciocínio se aplica ao resto da estratégia de captação. O material completo está em como captar pacientes para psicologia: 10 estratégias.

O que o CFP proíbe em um site de psicólogo

Esta é a parte que gera dúvida real, porque boa parte dos recursos considerados normais em um site comercial é incompatível com a divulgação de serviço psicológico.

ElementoPode?Por quê
Nome e CRP visíveisObrigatórioIdentificação profissional exigida na divulgação
Descrição da abordagem e do público atendidoSimConteúdo informativo sobre o serviço
Foto profissional do psicólogoSimIdentifica o profissional, não expõe paciente
Artigos e conteúdo educativoSimInformação de utilidade pública, sem promessa
Formulário de contato com dados mínimosSimDesde que sem campo clínico e com política de privacidade
Depoimento de pacienteNãoVedado: expõe vínculo terapêutico e fere o sigilo
Antes e depois, relatos de caso identificáveisNãoQuebra de sigilo, ainda que com autorização
Promessa ou garantia de cura ou resultadoNãoVedado expressamente na divulgação de serviços
Especialidade não registrada no CRPNãoAnúncio de título não registrado é infração ética
Comparação com outros profissionaisNãoConcorrência desleal entre pares
Promoção, desconto por tempo limitado, contagem regressivaNãoPreço usado como instrumento comercial
Selos de "melhor" ou "mais procurado"NãoAutopromoção sensacionalista sem lastro verificável

O caso dos depoimentos

É a dúvida mais frequente e a resposta é a mais firme: não. Nem com o nome trocado, nem com iniciais, nem com autorização por escrito do paciente. O impedimento não está apenas na identificação — está no fato de que um depoimento revela a existência do vínculo terapêutico e transforma o paciente em instrumento de divulgação do profissional. Autorização não descaracteriza isso.

O que substitui bem o depoimento é conteúdo próprio de qualidade: um texto que explique com clareza como você trabalha demonstra competência de forma muito mais sólida do que um elogio anônimo em um card colorido.

O caso do preço

Publicar o valor da sessão de forma objetiva não é vedado, e costuma reduzir bastante o volume de contato desalinhado. O que a norma não admite é o preço usado como argumento de concorrência — promoções, pacotes com desconto progressivo, comparação de valores e valores aviltados que desvalorizem a profissão. Se você publicar, publique o valor cheio e a política de cancelamento, sem apelo comercial ao redor. Como a leitura pode variar entre Conselhos Regionais, confirme o entendimento do seu CRP antes.

LGPD: o formulário é a parte mais sensível do site

Aqui o site de psicólogo se separa de qualquer outro site profissional. Dado de saúde é dado pessoal sensível pela LGPD, com regras de tratamento mais estritas — e um formulário mal construído transforma o seu site em um repositório de dado sensível que você nem queria ter.

Três regras que evitam quase todo problema

  • Peça o mínimo. Nome, e-mail ou telefone e, no máximo, uma preferência de horário. Nada além disso é necessário para marcar uma primeira conversa.
  • Nunca inclua campo clínico. Nada de "descreva brevemente o que você está sentindo", "qual seu diagnóstico" ou "há quanto tempo tem sintomas". Esse campo cria dado sensível, sem base legal adequada, guardado em servidor de site.
  • Diga para onde o dado vai. Política de privacidade acessível a partir do formulário, explicando qual dado é coletado, para quê, por quanto tempo fica guardado e como o titular pede exclusão.

Vale a mesma lógica para ferramentas de análise e pixels de anúncio: se o site tiver rastreamento, ele precisa ser declarado na política de privacidade e o consentimento de cookies precisa ser real, não um banner decorativo. O panorama completo da adequação está em LGPD para psicólogos: o que muda no consultório.

Erro comum: usar formulário de site como triagem clínica. Triagem é conversa, não campo de texto. O formulário serve para marcar a conversa — nada mais.

Ser encontrado: o mínimo técnico que faz diferença

Um site bonito que ninguém acha não resolve nada. Quatro pontos concentram a maior parte do resultado:

  1. Cidade e bairro no texto. A busca por psicólogo é local. Se a sua cidade não aparece em texto no título e no corpo das páginas, você não disputa a busca local.
  2. Velocidade e celular. A maioria dos acessos vem do telefone. Página pesada perde o visitante antes de carregar.
  3. Perfil no Google vinculado ao site. O ficha do Google costuma aparecer acima do resultado orgânico na busca local — e aponta para o seu site. A configuração está detalhada em Google Meu Negócio para psicólogo: guia completo.
  4. Conteúdo que responde dúvida real. Textos que explicam como funciona a terapia, quando procurar ajuda ou o que é sigilo trazem visitante qualificado de forma consistente.

O site também funciona melhor quando é o destino da sua rede social, e não um concorrente dela. O perfil apresenta, o site converte. A parte da rede está em Instagram para psicólogos: o que o CFP permite e proíbe.

Checklist antes de publicar

Antes de colocar o site no ar, passe por esta lista. Ela cobre os pontos que geram problema ético ou perda de contato:

  • Nome completo e CRP visíveis em texto, não em imagem
  • Apenas títulos e especialidades registrados no Conselho
  • Nenhuma promessa de resultado, cura ou prazo
  • Nenhum depoimento, relato de caso ou antes e depois
  • Formulário com dados mínimos e sem campo clínico
  • Política de privacidade publicada e acessível
  • Cidade e formato de atendimento explícitos no texto
  • Contato funcionando de verdade — teste enviando você mesmo
  • Página "como funciona" respondendo às dúvidas do primeiro contato
  • Site abrindo rápido no celular

Do contato ao paciente agendado, sem planilha no meio

O AgilizaPSI recebe o contato, organiza a agenda, envia o lembrete e mantém o histórico do paciente no mesmo lugar — com os dados clínicos protegidos onde precisam estar, e não em um formulário de site.

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Perguntas frequentes

Psicólogo pode ter site próprio?

Sim, não há vedação. O Código de Ética regula o conteúdo, não a existência do site: é preciso identificar nome e CRP, anunciar apenas títulos registrados e manter linguagem informativa, sem promessa de resultado ou comparação com outros profissionais. O site costuma ser mais seguro eticamente que a rede social, porque você controla todo o texto publicado.

O que não pode aparecer no site de um psicólogo?

Promessa de resultado, depoimento de paciente, antes e depois, relato de caso identificável, títulos não registrados no CRP, comparação com colegas, selos de "melhor da cidade" e promoções por tempo limitado. Nada que exponha o vínculo terapêutico ou transforme o paciente em material de divulgação.

Posso colocar o preço da sessão no site?

Informar o valor de forma objetiva não é vedado e reduz contatos desalinhados. O que não pode é usar o preço como instrumento de concorrência: promoções, descontos por tempo limitado, pacotes progressivos ou comparação de valores. Publique o valor cheio e a política de cancelamento, sem apelo comercial, e confirme o entendimento do seu CRP.

O site do psicólogo precisa de política de privacidade?

Sim, sempre que houver coleta de dado pessoal — formulário, agendamento online, newsletter ou analytics com cookies. Como dado de saúde é sensível pela LGPD, o formulário deve pedir só nome e contato, jamais sintomas ou histórico clínico, e a política precisa dizer o que é coletado, para quê, por quanto tempo e como pedir exclusão.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta ao seu Conselho Regional de Psicologia. As resoluções sobre divulgação de serviços psicológicos são atualizadas periodicamente e a interpretação pode variar entre regiões — confirme com o seu CRP antes de publicar.

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